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Tireoide: nódulos, hipotireoidismo e hipertireoidismo

Dra. Livia Faccine, endocrinologista em Moema, São Paulo

O que é a tireoide

A tireoide é uma glândula do sistema endócrino, ou seja, um órgão que produz hormônios e os libera na corrente sanguínea. Tem formato de borboleta e pesa, em um adulto, entre 15 e 25 gramas.
 

Os hormônios que ela produz — T3 e T4 — atuam praticamente em todo o corpo. Regulam a velocidade do metabolismo e influenciam a frequência cardíaca, a temperatura corporal, o funcionamento do intestino, o humor, a disposição, a pele, os cabelos e o ciclo menstrual. Na infância, são essenciais para o crescimento e para o desenvolvimento do cérebro.
 

Essa produção é comandada pelo TSH, hormônio produzido pela hipófise, uma glândula localizada na base do cérebro. O sistema funciona como um termostato: quando os hormônios da tireoide caem, o TSH sobe para estimular a glândula; quando estão altos, o TSH diminui. É por isso que o TSH costuma ser o primeiro exame solicitado na avaliação da tireoide.

Onde fica a tireoide

A tireoide fica na região anterior do pescoço, logo abaixo do "pomo de Adão" e à frente da traqueia. É formada por dois lobos, um de cada lado da traqueia, unidos por uma faixa central de tecido chamada istmo — daí o formato de borboleta.
 

Em condições normais, não é visível nem facilmente palpável. Quando aumenta de volume, pode formar um abaulamento na base do pescoço que se move ao engolir.

Nódulos de tireoide

Nódulos são áreas de crescimento localizado dentro da glândula, e são extremamente comuns. Cerca de 5% das mulheres e 1% dos homens têm nódulos perceptíveis ao exame do pescoço, mas em exames de imagem eles aparecem em até metade dos adultos, com frequência crescente ao longo da vida. Muitos são descobertos por acaso.
 

O dado mais importante para quem acabou de receber esse diagnóstico: a grande maioria dos nódulos de tireoide é benigna — estima-se que mais de 90% não sejam câncer.
 

A maior parte não causa sintoma algum. Nódulos maiores podem gerar sensação de pressão no pescoço, desconforto ao engolir ou, mais raramente, alteração na voz.
 

Vale um esclarecimento frequente em consulta: ter um nódulo não significa que a glândula esteja funcionando mal. A maioria das pessoas com nódulos tem exames hormonais normais. Nódulo e função da tireoide são avaliados separadamente.

Acompanhamento

Um nódulo benigno normalmente não exige nenhuma intervenção. O que se faz é acompanhamento, com exames periódicos em intervalos definidos conforme as características do nódulo e o histórico de cada pessoa.
 

O objetivo do seguimento é verificar se o nódulo permanece estável ao longo do tempo. Pequenas variações de milímetros entre um exame e outro são comuns e nem sempre significam crescimento real — por isso a avaliação segue critérios objetivos, e é desejável manter o acompanhamento no mesmo serviço, o que torna a comparação mais confiável.
 

Um nódulo que cresce de forma significativa, ou que passa a apresentar características diferentes das anteriores, pode ter indicação de punção, mesmo que exames prévios tenham sido tranquilizadores.

A punção (PAAF)

A punção aspirativa por agulha fina, conhecida pela sigla PAAF, permite analisar as células do nódulo e definir sua natureza.
 

Ela não é necessária em todo nódulo. A indicação depende do tamanho e das características do nódulo, e a decisão é individualizada. É um procedimento ambulatorial, rápido, com desconforto pequeno e retorno às atividades no mesmo dia.
 

O resultado é classificado pelo Sistema Bethesda, que organiza os achados em categorias — desde amostra insuficiente até confirmação de malignidade, passando pelo resultado benigno, que é o mais frequente. Cada categoria tem uma conduta própria, definida em consulta.

Hipotireoidismo

O hipotireoidismo ocorre quando a tireoide produz hormônios em quantidade insuficiente. É a alteração mais comum da glândula, afeta mais mulheres do que homens e torna-se mais frequente com a idade.
 

Como os hormônios tireoidianos regulam o metabolismo, a falta deles faz várias funções do corpo operarem mais lentamente.
 

Sintomas possíveis:

  • cansaço persistente e sensação de lentidão

  • intolerância ao frio

  • pele seca, queda de cabelo e unhas quebradiças

  • prisão de ventre

  • ganho de peso, geralmente discreto

  • inchaço, sobretudo no rosto e nas pernas

  • dificuldade de concentração e memória

  • humor deprimido

  • alterações do ciclo menstrual

Os sintomas costumam se instalar de forma gradual e são inespecíficos — podem ser confundidos com estresse ou rotina puxada. Muitas pessoas só percebem a diferença depois que o quadro é tratado.
 

Causas mais comuns. A principal é a tireoidite de Hashimoto, condição autoimune em que o próprio sistema imunológico produz anticorpos contra a tireoide. Outras causas incluem cirurgias e tratamentos prévios da glândula e o uso de determinados medicamentos.
 

Como é diagnosticado. Pela dosagem de TSH e T4 livre no sangue: o TSH está elevado e o T4 livre, baixo. Há ainda o hipotireoidismo subclínico, em que o TSH está alto mas o T4 livre permanece normal — situação que exige avaliação individualizada.
 

Atenção especial na gestação e no planejamento de gravidez, pelo papel dos hormônios tireoidianos no desenvolvimento do bebê.

Hipertireoidismo

No hipertireoidismo ocorre o oposto: a tireoide produz hormônios em excesso, e o metabolismo passa a funcionar acelerado.
 

Sintomas possíveis:

  • palpitações e aumento da frequência cardíaca

  • perda de peso, mesmo mantendo ou aumentando a alimentação

  • intolerância ao calor e sudorese excessiva

  • tremor nas mãos

  • ansiedade, irritabilidade e insônia

  • aumento do número de evacuações

  • fraqueza muscular, sobretudo em coxas e braços

  • alterações do ciclo menstrual​

Causas mais comuns. A principal é a doença de Graves, também autoimune, em que anticorpos estimulam a glândula a produzir hormônio em excesso — quadro que pode vir acompanhado de comprometimento dos olhos, que se tornam mais proeminentes. Outras causas incluem nódulos que produzem hormônio de forma autônoma e processos inflamatórios da glândula.
 

Como é diagnosticado. Pela dosagem de TSH, que se apresenta baixo, associada a T4 livre e T3 elevados. Conforme o caso, podem ser solicitados anticorpos específicos.
 

Por que a avaliação é importante. Além do desconforto dos sintomas, o excesso de hormônio tireoidiano mantido por longos períodos pode repercutir sobre o coração e sobre a saúde óssea.

Quando procurar um endocrinologista

  • nódulo ou aumento perceptível na região do pescoço

  • alteração no TSH ou em outros exames da tireoide

  • achado de nódulo em exame de imagem feito por outro motivo

  • histórico familiar de doença da tireoide ou de câncer de tireoide

  • cansaço persistente, alterações de peso sem causa aparente, palpitações, tremores, intolerância ao frio ou ao calor

  • planejamento de gravidez ou gestação em curso​

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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e a conduta devem ser definidos individualmente por um médico.

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