Diabetes tipo 2
Dra. Livia Faccine, endocrinologista em Moema, São Paulo
O que é
O diabetes tipo 2 é caracterizado pela elevação persistente da glicose no sangue. Ele se desenvolve de forma gradual, ao longo de anos, a partir de dois mecanismos que caminham juntos: a resistência à insulina e a redução progressiva da capacidade do pâncreas de compensá-la.
Na resistência insulínica, o organismo continua produzindo insulina, mas os tecidos passam a responder menos a ela. O pâncreas compensa produzindo quantidades cada vez maiores. Esse equilíbrio se mantém por muito tempo — até deixar de se manter, e é nesse momento que a glicose começa a subir.
Condições associadas
O diabetes tipo 2 raramente aparece isolado.
Sobrepeso e obesidade. São os fatores de risco mais relevantes, com destaque para o acúmulo de gordura visceral, que interfere diretamente na ação da insulina.
Resistência insulínica. Costuma anteceder o diagnóstico em vários anos, e frequentemente coexiste com síndrome metabólica e esteatose hepática.
Síndrome dos ovários policísticos. A resistência à insulina é um componente central da SOP, e mulheres com esse diagnóstico apresentam risco aumentado de desenvolver diabetes tipo 2 ao longo da vida — motivo pelo qual o rastreamento nesse grupo é recomendado mesmo em idades mais jovens.
É assintomático
Este é o ponto que mais surpreende quem recebe o diagnóstico.
O diabetes tipo 2 não costuma provocar sintomas durante a maior parte da sua evolução. Os sinais clássicos — sede excessiva, aumento do volume urinário, perda de peso — aparecem apenas quando a glicose já está muito elevada, o que geralmente ocorre tarde no processo.
Como consequência, é comum que a doença esteja presente há anos no momento em que é identificada. Boa parte dos diagnósticos acontece por acaso, em exames de rotina, ou já na investigação de alguma complicação.
O diagnóstico é laboratorial. É feito por exames de sangue, como a glicemia de jejum, a hemoglobina glicada e, em alguns casos, o teste oral de tolerância à glicose. Existe ainda uma faixa intermediária, o pré-diabetes, em que os valores já estão alterados sem preencher os critérios de diabetes — e que representa uma janela importante de intervenção.
Riscos do diabetes não controlado
As complicações também se instalam de forma silenciosa, ao longo de anos de glicose elevada. Elas atingem principalmente os vasos sanguíneos, dos menores aos maiores.
Olhos. Lesão dos vasos da retina, que é uma das principais causas de perda visual evitável em adultos.
Rins. Perda progressiva da função renal, podendo evoluir para doença renal crônica e necessidade de diálise.
Nervos. Perda de sensibilidade, formigamento e dor, sobretudo nos pés. A redução da sensibilidade favorece o surgimento de feridas que não são percebidas a tempo, e está na origem da maior parte das amputações relacionadas ao diabetes.
Coração e cérebro. Aumento importante do risco de infarto, de acidente vascular cerebral e de doença arterial periférica.
A boa notícia é que esse conjunto de riscos responde ao controle. Quanto mais cedo o diagnóstico e mais consistente o acompanhamento, menor a probabilidade de que essas complicações se desenvolvam.
Quando procurar avaliação
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sobrepeso, obesidade ou aumento da circunferência abdominal
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histórico familiar de diabetes
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diagnóstico de síndrome dos ovários policísticos
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diabetes gestacional em gravidez anterior
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pressão alta, colesterol alterado ou esteatose hepática
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resultado prévio de pré-diabetes
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ausência de exames de rotina recentes, mesmo sem qualquer sintoma
Outros temas
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e a conduta devem ser definidos individualmente por um médico.